quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Hoje sou uma narradora omnisciente...

- É verdade, já saíram as turmas! Estive hoje no site a ver... Sabes quem é da nossa turma?
- Quem?
- O Gonçalo Sá.

Toda a gente conhecia o Gonçalo Sá - o menino popular do liceu. As raparigas apreciavam-no, desejavam-no; mais do que a ele, desejavam conseguir o rótulo de Namorada-do-Gonçalo-Sá. Os rapazes idolatravam, bajulavam e faziam o possível para se integrarem no grupo. Oh aquele galã, louro, de olhos claros, uma perfeita masculinização da mulher petrarquista, deixava um rasto de suspiros onde quer que passasse!
Matilde nunca se entregara a este tipo de devaneios mas que a beleza deste jovem era inquestionável, isso era... E o facto de passar os dias fechada na mesma sala que ele, causava-lhe uma certa ansiedade.

Já todos aguardavam sentados cada um na sua carteira meios ensonados ainda pela desregulação do sono, meios curiosos por saber as novidades das férias, mas definitivamente ansiosos para que o novo colega chegasse.
- Será que anulou a matrícula?
- Se calhar mudou de escola...
- É normal, não conhecia ninguém na turma.
Ora, galã que se preze chega atrasado.
Foi uma entrada pautada pelo bom humor e descontracção. Não o humor aparvalhado. Um humor inteligente, prezando a boa educação, quero dizer, oportuno.
Uma vez por outra, Matilde não resistia a volver o seu olhar, entre as cabeças, procurando chegar ao extremo da sala, onde se encontrava sentado o Gonçalo. E quase jurava, que por vezes, enquanto ela olhava para o quadro - onde a Professora relembrava as regras de comportamento da sala de aula - aqueles olhos azuis palpavam terreno, tentando encontrar os seus longos cabelos ondulados.

Durante uma semana o cenário não se alterou. A troca de olhares fugaz e discreta manteve-se.
Matilde não estava apaixonada, não era como as outras adolescentes que perdiam a cabeça com qualquer um, aliás nunca ninguém lhe conhecera um namorado, mas dava-se muito bem com rapazes. Mas aquela postura descontraída aliada aqueles olhos azuis, cativavam-na.
Gonçalo não estava apaixonado. Era ele lá homem de se apaixonar! Mas havia algo nela que lhe despertava o interesse. Não eram os seus atributos físicos. Não que Matilde fosse uma rapariga feia, não o era: tinha uns grandes olhos verdes e uns cabelos longos ondulados; mas não deixava ninguém a suspirar. Talvez fosse aquela postura madura e serena. Sim, era isso.

[continua, um dia]

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Regresso às aulas

Pois é, lá se acabou a boa vida.
E como há ocasiões que assim o exigem, amanhã, de lentes de contacto, corte de cabelo novo e roupinha pronta a estrear lá vou eu apanhar o autocarro, subir a rampa enorme que dá acesso à escola, rever os colegas entre abraços e beijinhos e voltar à rotina.

domingo, 13 de setembro de 2009

Mais uma de Amor

Desde que me lembro, tenho a Gi(sela) como vizinha. Ela sempre foi para mim a irmã mais velha que eu nunca tive. Lembro-me de altura em que a Gi atravessava a adolescência, eu era ainda uma criança, com os meus 5/6 anos.
Ela costumava imprimir-me alguns desenhos da Disney para eu pintar. E deitava-se na cama ao meu lado a contar-me os seus dramas amorosos. Um dia, interroguei-a:

- Oh Gi, como é que sabes quando estás apaixonada?

Ela hesitou e reflectiu por uns segundos. Acho que ela não queria dar uma típica resposta lamechas mas também, entre a turbulência e confusão características da idade não encontrou uma resposta suficientemente esclarecedora. Então limitou-se a...

- Quando chegar a tua altura vais perceber!

Eu não sei, mas há uma hipótese, ainda que remota, de que essa altura tenha chegado.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O que significa?

Quando um rapaz abraça uma rapariga espontaneamente, lhe pega nas mãos acariciando-as e se deixa assim ficar falando de coisas banais?
Quando uma rapariga, estando perto de um rapaz, sorri ridiculamente, sente o coração a bater mil pulsações por segundo e quer que aquele momento dure para sempre?

sábado, 5 de setembro de 2009

Momento de futilidade

Ando há uns bons pares de meses à procura de uns sapatos do estilo oxford, mas queria encontrar uns que fossem mesmo a minha cara. Não gosto daqueles que têm uma espécie de tacão em madeira. Não. O que eu queria mesmo era uns completamente rasos. E também não queria brancos nem pretos. Gostava mais se fossem numa cor mais vibrante para cortar um pouco o aspecto clássico deste tipo de sapato. Sou pouco exigente, hun?
Quem souber onde eu posso arranjar uns assim, por favor, eu imploro que me faça saber!
Juro que estou farta de procurar!
Os mais atentos fashionistas que atendam a este pedido de uma adolescente fútil desesperada por um par de sapatos!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Crónicas Sobre as Férias

Pois é, o bem-bom acabou! Quer dizer, ainda tenho duas semanas antes de começarem as aulas para aproveitar mas o Algarve, a praia, e o passar-o-dia-inteiro-a-torrar-ao-sol já lá vão. Porque hoje, cá para o norte, a sombra já pede um casaquinho - o que não me desagrada porque eu gosto é de dias de sol fresquinhos.
Ora férias exigem sempre reportagem fotográfica. Mesmo que não seja assim muito extensa ou muito profissional.

Está visto que os fotógrafos amadores se refugiam nos pormenores, pensando assim não se arriscarem a que as suas obras sejam alvo de críticas. Pensando, disse eu. Façam lá o obséquio de serem simpáticos com uma adolescente que adorava saber tirar fotos bonitas, ou pelo menos, interressantes.

À parte disto, tenho uma coisa importante a dizer: de toda a roupa que levei só 51% dela é que foi usada, por isso, acho que na minha capacidade de selecção algo está a falhar. Mas o que querem que eu faça? Na hora de pôr para a mala parece que até aquelas calças de bombazina beges que estão escondidas no fundinho do roupeiro vão fazer falta.
E sim, voltei um pouco mais bronzeada! Uma recompensa justa depois dos escaldões consecutivos que apanhei na primeira semana.